Vai um livro com pedaço de carne?

Luís transformou açougue e pontos de ônibus em bibliotecas

 

Até os 11 anos ele engraxava sapatos em Brasília. Depois, trocou flanelas, escovas e latinhas de graxa pelo trabalho em um açougue, onde passou a dormir. Só aprendeu a ler e escrever aos 16 anos. Aos 18, leu o primeiro livro. Apesar da infância pobre e da educação prejudicada, Luis Amorim vem derrubando mitos e transformando a relação de milhares de brasilienses com a leitura.
A história começou naquele mesmo açougue que o empregou, e do qual, em 1998, tornou-se proprietário. Lá, entre peças de carna, facas afiadas e clientes apressados, instalou uma prateleira com 10 livros. Logo começaram a surgir leitores, e o número de obras foi aumentando. Hoje o T-Bone – primeiro açougue cultural do mundo (e muito provavelmente o único…) – recebe também peças de teatro, shows e eventos literários.
Mas quem disse que Luis parou por aí? Transformou o açougue em uma ONG e mais uma vez extrapolou os limites do lugar-comum, criando uma biblioteca que funciona 24 horas em 35 pontos de ônibus de Brasília. O projeto, batizado Parada Cultural, possui um acervo de 24 mil volumes. Para tornar-se sócio, é só estender a mão e apanhar o livro. Não é preciso apresentar carteirinha, documentos ou preencher fichas. E para quem imagina que uma coisa dessas não pode dar certo, as últimas informações: o projeto registra cerca de mil empréstimos por dia, e as taxas de não devolução são baixíssimas.

(retirado de Brasil – Almanaque de Cultura Popular. Edição de outubro, nº 114, ano 10)


O desenvolvimento de Luis já é visto na própria fachada da T-Borne

Sim meus caros amigos, ainda existe gente boa neste planeta! E não pensem que ele é o único. No início deste ano, li um livro que comprei de presente de aniversário para o meu irmão, Saí da Microsoft para mudar o mundo, de John Wood. É o relato autobiográfico de Wood, um empresário de sucesso e status na Microsoft, amigo íntimo de Bill Gates, e que desiste de toda aquela vida artificial baseada na informática para fazer algo de melhor: criar bibliotecas. Ele começa primeiro no Nepal. São poucos títulos, mas com tantos amigos influentes ele vai recebendo verba e o acervo vai aumentando. O projeto dele é reconhecido, ganha prêmios e torna-se a ONG Room to Read.


Wood ao lado do “cargueiro” de livros, no Nepal

Fica aqui a reflexão, do que podemos fazer ainda neste planeta, mas ande logo, pois o tempo é curto, já dizia Alvarenga Peixoto: “Procura ser feliz na eternidade, porque o mundo são breves momentos.”

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About jorgedoprado

Doutorando em Ciência da Informação (UFSC), Mestre em Gestão de Unidades de Informação (UDESC), Bacharel em Biblioteconomia (UDESC). Ver todos os artigos de jorgedoprado

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