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Os 10 melhores livros que li em 2010

Assim como no ano passado, decidi fazer a listagem dos 10 melhores livros que li em 2010. Não foi uma tarefa muito fácil, pois comparado com o que li em anos anteriores, em 2010 eu li muito pouco, 24 títulos. Mas resolvi listá-los, vamos lá!

10º – La Tabla de Flandes, de Arturo Pérez-Reverte
Reverte já foi citado por Dan Brown como uma de suas inspirações. E realmente inspirou, por este livro tem muito do que hoje se tornou a escrita de Brown. Uma história de mistério bastante interessante (em espanhol).

9º – Os viúvos, de Mario Prata
Comprei este livro por acaso, quando o escritor estava num evento aqui em Florianópolis, fazendo a divulgação. Comprei, pedi autógrafo e em menos de dois dias conheci a história do detetive Fioravanti em plena Floripa. Interessante que cada capítulo do livro é um bairro ou local da Ilha da Magia. Viajei pela cidade sem sair do meu quarto.

8º – Herdando uma biblioteca, de Miguel Sanches Neto
Recomendo este livro pela paixão do autor em narrar como montou sua biblioteca particular. O cara é ali, de Curitiba.

7º – Bilionários por acaso: a criação do Facebook, de Ben Mezrich
A grande atração do ano de 2010. Ganhei o livro de amigo secreto, li em algumas horas e corri para o cinema ver a versão do filme. Vale muito a pena! Dá gosto de ver do que um universitário é capaz munido de uma boa massa pensante.

6º – Os espiões, de Luis Fernando Verissimo
Verissimo sempre aparece nas minhas listas dos melhores. E com este livro, 3º lugar no Prêmio Jabuti 2010, ele sai do seu gênero de domínio, a crônica, e parte para um romance. Um romance que fala sobre livros, melhor ainda.

5º – Conversa sobre o tempo, de Arthur Dapieve com Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura
Mais uma vez Verissimo, mas desta vez numa conversa agradabilíssima com Dapieve e Ventura. Dapieve entrevista os dois num sítio e a conversa vira livro. Eles falam sobre política, livro, morte, amizade e diversos temas. Um banho de cultura brasileira e internacional.

4º – Não contem com o fim do livro, de Umberto Eco
Também um dos grandes temas de 2010, o futuro do livro perante a tecnologia digital dos e-readers. O autor, especialista em leitura e vários outros temas, é entrevistado e fala sobre o envolvimento do homem com o livro, seja em papel ou digital.

3º – A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson
Trilogia Millennium, a melhor história policial que eu já li. Tudo muito bem escrito e traduzido. História boa, envolvente. Se encaixa naquela categoria de livros que não conseguimos parar de ler até terminar.

2º – A nova desordem digital, de David Weisberger
Título indicado numa palestra e que peguei emprestado na biblioteca da universidade. Para quem é da área da Biblioteconomia, que trabalha com informação, este livro é essencial.

1º – Caim, de José Saramago
Não poderia deixar de ser, novamente Saramago em primeiro lugar. Ano passado ele ficou com “O homem duplicado” e agora com “Caim”, esta história totalmente audaz, bem escrita. Enfim, uma boa história saramagueana.

E para você, quais foram os 10 melhores livros que leste em 2010?


Prêmios Jabuti e Portugal Telecom 2010

Faz alguns dias já que saíram os indicados aos prêmios Jabuti e Portugal Telecom de Literatura. O Prêmio Jabuti, a nível nacional, é o maior a respeito de literatura (por área e romance) e o Portugal Telecom volta-se à literatura dos países de língua portuguesa.
Vi ontem a relação dos indicados e dois grandes escritores, que considero muito, estão concorrendo.

Para o Prêmio Jabuti de Melhor Romance de 2010, eis os indicados:

“Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre
“Outra vida”, de Rodrigo Lacerda
“Leite Derramado”, de Chico Buarque
“Os Espiões”, de Luis Fernando Verissimo
“Golpe de Ar”, de Fabrício Corsaletti
“Sinuca embaixo d’água”, de Carol Bensimon
“O Albatroz Azul”, de João Ubaldo Ribeiro
“O Filho da mãe”, de Bernardo Carvalho
“A passagem tensa dos corpos”, de Carlos de Brito e Mello
“O boi no café”, de Sérgio Viotti.

E para o Prêmio Portugal Telecom, os indicados são:
“A passagem tensa dos corpos”, de Carlos de Brito e Mello
“AvóDezanove e o segredo do soviético”, de Ondjaki
“Caim”, de José Saramago
“Lar”, Armando Freitas Filho
“Leite Derramado”, de Chico Buarque
“Monodrama”, de Carlito Azevedo
“O filho da mãe”, de Bernardo Carvalho
“Olhos secos”, de Bernardo Ajzemberg
“Outra vida”, de Rodrigo Lacerda
“Pornopopéia”, de Reinaldo Moraes.

De tanto falar sobre alguns dos indicados, já fica meio óbvio para quem eu torço. Quero muito que o Verissimo ganhe o Jabuti e Saramago o Telecom. Quanto ao Jabuti, temos a forte concorrência de Buarque e Ubaldo, que podem atrapalhar um pouco o Verissimo. Brito e Mello, Bernardo Carvalho e Ricardo Azevedo também podem ser fortes candidatos, já que estão indicados aos dois prêmios.

Já para o Prêmio Telecom, Saramago é um fortíssimo candidato. Seu último livro, que é o indicado, é uma obra incrível, uma das melhores.

Em 01 de outubro teremos o resultado do Jabuti e em 04 de novembro, o Telecom. Que ganhe o melhor!


Jamais…

surgirá na face deste planeta um escritor como tal.

Eis a frase que abre o meu livro predileto, que jamais será igualado por qualquer outro escritor:

“No dia seguinte, ninguém morreu.”

 

Saramago, que tenhas com Deus, conversas definitivas que foram iniciadas em seus romances.


Biblioteconomia romanceada em alguns parágrafos

Terminei de reler um livro que acho muito bem escrito: “O sou o mensageiro”, do australiano Markus Zusak. Mas não escrevo este post para resenhá-lo e sim para colocar um trecho muito engraçado. Nas próximas linhas, o protagonista da história (Ed Kennedy) vai até a biblioteca. Para mim, que estudo Biblioteconomia, ficou fácil, mas perceba a evolução da Biblioteconomina romanceada, as mudanças tecnológicas, o perfil do profissional bibliotecário. É super cabível!

“É bem verdade que eu já li uma porrada de livros, mas comprei todos eles, sobretudo nos sebos da vida. A última vez que de fato usei uma biblioteca, ainda havia aquelas gavetas enormes de catálogos. Mesmo na escola, quando passaram a usar o computador pra armazenar os catálogos, eu ainda usava as gavetas. Eu curtia puxar o cartão de um autor e ver a lista dos livros.
   Quando entro na biblioteca, penso que vou ser atendido por uma senhora atrás do balcão, mas é um cara novo, mais ou menos da minha idade, de cabelo comprido e endulado. Ele é meio grosso, mas gosto dele.
    – Você tem aqueles cartões? – pergunto.
– Que tipo de cartões? Cartões de jogos? De biblioteca? De crédito? – ele está tirando um sarro. – O que você quer dizer exatamente?
Percebo que ele está querendo me deixar com cara de burro e inútil, embora eu não precise de sua ajuda pra isso. Começo então a explicar:
– Sabe, os cartões com todos os escritores, autores e tudo o mais.
– Ah! – e ele solta uma boa gargalhada. – Já faz muito tempo que você não pisa em uma biblioteca, não é mesmo?
– Pois é – respondo. Agora sim me sinto burro e inútil. Melhor até pendurar uma placa no pescoço dizendo: ‘Pode bater que é otário.’ Dou uma disfarçada e levo na boa. – Mas já li Joyce, Dickens e Conrad.
– Quem são esses?
Agora eu levo vantagem.
– O quê? Você não leu esses caras? E tira onda de bibliotecário?
Ele agora me dá razão, com um sorrisinho do mal.
Touché.
Touché.
Não suporto essa expressão.
Bem, mas o que interessa é que o cara agora ficou mais solícito. Ele diz:
– A gente não usa mais cartões; agora é tudo no computador. Vem.
Vamos até os computadores e ele diz:
– Bem, me diz um autor aí.
Dou uma gaguejada porque não quero mencionar uma das pessoas no ás de espadas. Esses são meus. Então mando um Shakespeare.
Ele digita o nome e logo todos os títulos aparecem na tela. Então ele digita o número ao lado de ‘Macbeth’ e diz:
– Aqui. Entendeu como é?
Leio a tela e saco tudo.
– Pô, valeu.
– Sem problema.
Ele se afasta e me deixa só, com as teclas, os escritores e a tela.”

(ZUSAK, Markus. Eu sou o mensageiro. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. pp. 184-185)


Undisclosed Desires

Só porque esta música não sai da minha cabeça, tanto pela letra, como pela criatividade no vídeo.


Nove vezes sem fôlego

Sexta-feira foi a estreia de um filme que eu estava esperando desde que as primeiras notícias sobre ele saíram na mídia. No dia 26 de fevereiro, às 19h, assisti a um dos melhores filmes da minha vida, “Nine”.

 

Para alguns pode ser que eu esteja exagerando, já que o filme é um mero musical adaptado. Porém, para mim, filme bom é aquele que reúne boas performances, aquele com passagens onde você quase que não segura o bater das palmas (como se fosse o fim de um espetáculo), aquele com imagem e som extasiantes e claro, o roteiro/enredo do filme.

“Nine” é a história da vida de um cineasta famoso que se vê à beira da falta de criatividade para um novo filme, que ao longo do longa (bom trocadilho hein?!) vai relembrando encontros que teve com algumas mulheres. Tais mulheres são interpretadas pelas garbosas Kate Hudson, Penélope Cruz, Fergie, Nicole Kidman, Marion Cotillard, Judi Dench e Sophia Loren; em elenco e tanto.

Enfim, “Nine” é tão bom que me faltam termos para explicar. É por isso que amanhã assistirei de novo.

Quanto às minhas apostas às estatuetas do Oscar, tenho mudanças. As categorias onde “Nine” está concorrendo serão dele, portanto, “the Oscar goes to…” para Nine nas categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz), Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Canção Original (“Take It All”).


Afronta a Deus

É somente com este título que posso sintetizar “Caim”, o último livro do estupendo José Saramago. Não que eu seja católico, ou um crente fervoroso em Deus, mas com este livro Saramago realmente faz uma grande afronta a tudo o que Deus (no livro grafado com minúscula, “deus”) conquistou historicamente falando. Para você melhor entender, leia este trecho que separei, tratando do assassinato de Isaac pelo pai Abraão, que na visão de Saramago, foi tudo culpa de deus.

 

Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele [deus] dito a abraão, o pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrifício a mim sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água, quanto tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim. Na manhã seguinte, o desnaturado pai levantou-se cedo para pôr os arreios no burro, preparou a lenha para o fogo do sacrifício e pôs-se a caminho para o lugar que o senhor lhe indicara, levando consigo dois criados e o seu filho isaac. No terceiro dia de viagem, abraão viu ao longe o lugar referido. Disse então aos criados, Fiquem aqui com o burro que eu vou até lá adiante com o menino, para adorarmos o senhor e depois voltamos para junto de vocês. Quer dizer, além de tão filho da puta como o senhor, abraão era um refinado mentiroso, pronto a enganar qualquer um com a sua língua bífida, que, neste caso, segundo o dicionário privado do narrador desta história, significa traiçoeira, pérfida, aleivosa, desleal e outras lindezas semelhantes.

SARAMAGO, José. Caim. Companhia das Letras: Rio de Janeiro, 2009. p. 79.