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Não contem com o fim dos livros

Eis um dos lançamentos deste ano que eu queria muito ler. O livro estava praticamente jogado no Laboratório do meu curso na faculdade e o emprestei.
A princípio não gostei e até tinha comentado no Twitter. O início é um pouco disperso, não segue uma linha. Como é uma conversa mediada por um jornalista entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, até pensei que as falas de Umberto Eco foram copiadas e coladas de disversos artigos do escritor, porque elas não se ligavam com a de Jean. Essa impressão talvez ficou por causa do livro que segue o mesmo estilo entre Verissimo e Ventura, que li há pouco tempo, mas que é realmente uma conversa.
Aos poucos, o livro vai melhorando. Há inúmeras citações a outros escritores e outros títulos. É um tipo de livro que você precisa ter um bloco de anotações ao lado para guardar todas as sugestões.
A leitura vale a pena e surpreende, se assim como eu, você pressupor que o livro trate da era digital. Até de bibliofilia podemos ler!


Manual do bibliófilo

E agora, meu caro bibliófilo aprendiz, de que mais podemos conversar? Já proseamos bastante (talvez demais na sua opinião) e falta ainda muita coisa que eu gostaria de lhe dizer. Mas, prosa sobre livros não tem fim. Você já deve estar cansado. Quer fechar este livro e ir cuidar da vida. Se cuidar da vida é, para você, ganhar mais dinheiro, digo-lhe que não vale a pena. Ganhar muito dinheiro dá enfarte. Sempre haverá o bastante para comprar-se um livro ambicionado. O resto é vão e não vale o sonho imenso de quem gosta de livros raros.
Não vive verdadeiramente quem não gosta de dar uma prosa com um amigo ou ler um livro com vagar. Desejo-lhe que tenha sempre tempo para prosear sobre livros. Quando nos encontrarmos de novo, espero que seja você quem me conte coisas sobre livros e me diga os exemplares raros que já possui.

É assim que termina o livro “O Bibliófilo aprendiz: prosa de um velho colecionador para ser lida por quem gosta de livros, mas pode também servir de pequeno guia aos que desejam formar uma coleção de obras raras, antigas ou modernas.”, editado pela Casa da Palavra em 2005 e escrito pelo grande bibliófilo Rubens Borba de Moraes.

Em todo o livro sente-se a audácia de Rubens, ele não tem medo de criticar famosos, não tem medo de colocar a sua opinião sem demagogias. E o livro é isso mesmo que diz no “pequeno” subtítulo, quem quiser montar uma coleção de obras raras tem o guia completo em mãos. Trata desde como armazenar os livros (cuidando com pó, clima e bichos) até a história de grandes raridades que bibliófilos sempre correm atrás.

 

Realmente, valeu muito a pena ter lido este livro! Indico aos apaixonados por livros.