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Ex libris

Há quem pense que usamos os livros como armadura. Outros ainda como uma mera máscara para cobrir nossas vergonhas. Mas ainda há, e eis a salvação, os que usam um livro como passaporte para os confins do Universo.

Em 2006, quando eu acertei todas as questões do nível três da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), um repórter do jornal local da minha cidade me perguntou: “Quanto tempo você estudou para esta prova?”. Parei. Pensei. Quanto tempo eu estudei para aquela prova? Na verdade, eu não sabia. Mas para não dar uma resposta sem graça, somente respondi que estava indo bem no meu Ensino Médio e isso me ajudou muito.

A próxima pergunta, mais rápida para se responder, foi: “O que você mais gosta de fazer?”. “Ler. Leio muito! Desde os clássicos até os best-sellers, poemas, romances, auto-ajuda, técnicos… tudo!”. Entrevista vai, entrevista vem. Fomos nos enredando para a literatura, sobre minha posição com os livros. Eu só complementava com a verdade: “Eu amo ler. E também adoro comprar, ganhar e achar livros, para mim, um livro é o melhor presente.”

 

Depois disso, muitas pessoas paravam, me observavam, algumas me parabenizavam, outras me olhavam de soslaio. Despertei o gosto pela leitura de muitas crianças (conseguem sentir o ar solidário que paira nesta frase?) e aos poucos, fui me embrenhando mais por tudo isso.

Quando comecei a trabalhar, muitos alunos me perguntavam dicas, resumos, opiniões. E se eu pudesse, sinceramente, passava a tarde toda discutindo literatura com quem quiser que aparecesse.

 

 

Ontem no Jornal Nacional, saiu uma matéria muito interessante sobre a leitura no Brasil. Nosso indíce de leitores está aumentando nos últimos anos (e será que haveria como baixar?) e a maioria são leitores jovens. Mas aí nos perguntamos: qual é a qualidade desta leitura? As futilidades dos best-sellers? (isso fica para outra postagem).

 

Mas sem delongas, quero concluir com estas observações: literatos são mal-vistos por alguns (e esses alguns são muitos). Sabe, da mesma maneira que rappers são vistos como maconheiros, negros como ladrões, ricos como mesquinhos, homossexuais com aidéticos.

Será que é mais uma “tribo”? Alguns podem não concordar comigo, mas você, sim, você leitor assíduo, que não consegue dormir sem ler um capítulo do seu livro, que não consegue ficar numa fila sem ler; talvez já tenha passado por esta situação: um indivíduo qualquer fica te olhando (na verdade o melhor gerúndio é encarando), meio que perguntando-se em que mundo você está, o que te absorve naquelas páginas. Isso já aconteceu muitas vezes comigo, principalmente quando eu lia ao ir para casa.

 

As pessoas precisam ir se acostumando, pois os literatos dominarão o mundo!

 

 

 

P.S.: O porquê do título: queria fazer uma tatuagem com essa expressão latina (ex libris significa “dos livros”, literalmente).

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