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A versão hollywoodiana

Neste sábado, depois de uma longa espera, finalmente assisti à versão norte-americana de Os homens que não amavam as mulheres. Há duas semanas, assisti a trilogia inteira em sua versão sueca, para poder fazer uma comparação.

Neste remake (podemos chamá-lo assim?), há uma fiel adaptação aos principais fatos do livro. Claro, que para fãs mais atentos, alguns detalhes foram descartados, outros acrescidos, mas de modo geral, gostei muito do fim. Já perdi o fôlego com a “vinheta” de abertura do filme, que ficou ótima com aquele rock, dando a sensação de que realmente teríamos um ótimo filme pela frente. Nas quase três horas de duração, encontramos uma incrível Rooney, como Salander, encarando a personagem de Larsson de forma perfeita, em todos os vieses que ela permite.

Curti muito a trilha sonora de Atticus Ross e Trent Reznor, que se eu não me engano também fizeram a de A Origem e que venceu o Oscar (se bem me lembro).

Agora só resta esperar pela continuação, que segundo Fincher sairá em 2013 e 2014, e pela premiação do Oscar, na qual o filme foi indicado a Melhor Atriz (Rooney Mara), Fotografia, Edição, Edição de Som e Mixagem de Som.


E mais estantes!

Navegando por alguns jornais internacionais, acabei encontrando uma proposta bastante bacana do The Guardian. Pediram aos leitores que enviassem imagens de seus livros, do modo que são organizados ou algo parecido com organização. Eles separaram quinze imagens, que você pode conferir neste link. Abaixo eu selecionei duas que gostei bastante e por último uma foto de uma das minhas estantes.

Esta é organizada por tamanho e cor


Estante típica de bibliófilo

Esta é a minha


Littera Clube de Cultura

Um dos grandes momentos pelos quais ansiava ao me mudar para Florianópolis: debater cultura.
Há um mês recebi convite da Isabel Guenther para participar de um grupo de leitura e de cinema. Fomos discutindo, elecando algumas “regras” e nosso primeiro encontro foi dia 01/05.

O intuito do Littera Clube de Cultura (nome que demos ao grupo) é debater cultura, simples. Nossos encontros são em lugares públicos, como livrarias, cafés, bibliotecas e afins e em meses pares discutimos um filme e nos ímpares um livro. Como o primeiro encontro foi em maio, teremos de debater um livro. E aí retornaremos a nos encontrar dentro de um mês, para colocar nossas impressões à mesa.

O primeiro livro que escolhemos, foi um clássico do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, “O amor nos tempos do cólera”, de Gabriel García Márquez. Foi um livro em que uma época eu comecei a ler, mas assim como dizia Ranganathan (bibliotecário indiano), “para cada livro o seu tempo”, e não era o tempo de ler “O amor”. Hoje, em 07 de maio, meados da página 70 do livro, sinto que já estou preparado para esta grande leitura.

Todos de Florianópolis e região estão convidados. O grupo preza ao máximo possível pela informalidade, nada de regulamentos ditatoriais, mentes geniosas e interpretações técnicas. Queremos é pensar!

Quer participar? Envie um e-mail: jorge.exlibris@gmail.com


O Leitor Ideal

Transcrevo aqui o interessantíssimo primeiro capítulo do penúltimo livro do Alberto Manguel, “À mesa com o Chapeleiro Maluco”. Já escrevi aqui a respeito deste ótimo escritor, um dos meus prediletos, fera nas temáticas leitura e livros.

Notas para uma definição do leitor ideal

O leitor ideal é o escritor no exato momento que antecede a reunião das palavras na página.

O leitor ideal existe no instante que precede o momento da criação.

O leitor ideal não reconstrói uma história: ele a recria.

O leitor ideal não segue uma história: participa dela.

Um famoso programa da BBC sobre livros infantis começava, invariavelmente, com o animador perguntando: “Vocês estão sentados confortavelmente? Então vamos começar!”. O leitor ideal é também o sentador ideal.

Representações de são Jerônimo mostram-no debruçado sobre sua tradução da Bíblia, ouvindo a palavra de Deus. O leitor ideal deve aprender a ouvir.

O leitor ideal é o tradutor. Ele é capaz de dissecar o texto, retirar a pele, fazer um corte até a medula, seguir cada artéria e cada veia e depois dar vida a um novo ser sensível. O leitor ideal não é um taxidermista.

Para o leitor ideal todos os recursos são familiares.

Para o leitor ideal todas as brincadeiras são novas.

“É preciso ser um inventor para ler bem.” Ralph Waldo Emerson.

O leitor ideal tem uma aptidão ilimitada para o esquecimento. Ele pode afastar de sua memória o conhecimento de que Dr. Jekill e Mr. Hyde são a mesma pessoa, que Julien Sorel terá sua cabeça cortada, que o nome do assassino de Roger Ackroyd é Fulano de Tal.

O leitor ideal não está interessado nos escritos de Brett Easton Ellis.

O leitor ideal sabe aquilo que o escritor apenas intui.

O leitor ideal subverte o texto. O leitor idela não pressupõe as palavras do escritor.

O leitor ideal é um leitor cumulativo: sempre que lê um livro ele acrescenta uma nova camada de lembranças à narrativa.

Todo leitor ideal é um leitor associativo. Lê como se todos os livros fossem obra de um autor intemporal e prolífico.

O leitor ideal não pode expressar seu conhecimento por meio de palavras.

Depois de fechar o livro, o leitor ideal sente que se não o tivesse lido o mundo seria mais pobre.

O leitor ideal jamais contabiliza seus livros.

O leitor ideal é ao mesmo tempo generoso e ávido.

O leitor ideal lê toda literatura como se fosse anônima.

O leitor ideal gosta de usar o dicionário.

O leitor ideal julga um livro por sua capa.

Ao ler um livro de séculos atrás, o leitor ideal sente-se imortal.

Paolo e Francesca não eram leitores ideais, pois confessaram a Dante que depois de seu primeiro beijo pararam de ler. Leitores ideais teriam se beijado e continuariam lendo. Um amor não exclui o outro.

O leitor ideal não sabe que é o leitor ideal até chegar ao final do livro.

O leitor ideal partilha da ética de Dom Quixote, o desejo de Madame Bovary, a luxúria da esposa de Bath, o espírito aventureiro de Ulisses, a integridade de Holden Caufield, ao menos no espaço textual.

O leitor ideal percorre as trilhas conhecidas. “Um bom leitor, um leitor importante, um leitor ativo e criativo é um leitor que relê.” Vladimir Nabokov.

O leitor ideal é politeísta.

O leitor ideal assegura, para um livro, a promessa da ressurreição.

Robinson Crusoé não é um leitor ideal. Lê a Bíblia para encontrar respostas. Um leitor ideal lê para encontrar perguntas.

Todo livro, bom ou ruim, tem seu leitor ideal.

Para o leitor ideal, cada livro é lido, até certo ponto, como sua própria autobiografia.

O leitor ideal não tem uma nacionalidade precisa.

Às vezes, um escritor pode esperar muitos séculos para encontrar um leitor ideal. Blake demorou 15o anos para encontrar Northrop Frye.

O leitor ideal de Stendhal: “Eu escrevo para apenas cem leitores, para serem infelizes, amáveis, encantadores, nunca moralistas ou hipócritas, aos quais eu gostaria de agradar; só conheço um ou dois deles.”

O leitor ideal conhece a infelicidade.

Os leitores ideais mudam com a idade. Aquele que aos 14 anos foi um leitor ideal dos Veinte poemas de amor de Neruda já não o é aos 30. A experiência apaga o brilho de certas leituras.

Pinochet, que proibiu Dom Quixote por pensar que esse livro incitava à desobediência civil, foi seu leitor ideal.

O leitor ideal jamais esgota a geografia do livro.

O leitor ideal deve estar disposto não apenas a surpreender a incredulidade, mas a abraçar uma nova fé.

O leitor ideal nunca pensa: “Se ao menos…”.

Anotações nas margens indicam um leitor ideal.

O leitor ideal faz proselitismo.

O leitor ideal é volúvel e não sente culpa disso.

O leitor ideal é capaz de se apaixonar por um dos personagens do livro.

O leitor ideal não se preocupa com os anacronismos, com a verdade documentada, com a exatidão histórica, com a precisão topográfica. O leitor ideal não é um arqueólogo.

O leitor ideal é um cumpridor implacável das regras e normas que cada livro cria para si mesmo.

“Há três tipos de leitor: um, que aprecia o livro sem julgá-lo; três, que o julga sem apreciá-lo; outro, no meio, que o julga enquanto o aprecia e o aprecia enquanto o julga. O último tipo verdadeiramente reproduz uma obra de arte novamente; seus exemplos não são numerosos.” Goethe, em carta a Johann Friedrich Rochlitz.

Os leitores que cometeram suicídio depois de ler Werther não eram ideais, mas simplesmente leitores sentimentais.

Os leitores ideais quase nunca são sentimentais.

O leitor ideal quer chegar ao final do livro e ao mesmo tempo saber que o livro jamais terminará.

O leitor ideal nunca se impacienta.

O leitor ideal não liga para os gêneros.

O leitor ideal é (ou parece ser) mais inteligente do que o escritor; o leitor ideal não usa isso contra ele.

Há um momento em que cada leitor se considera o leitor ideal.

Boas intenções não são suficientes para produzir um leitor ideal.

O Marquês de Sade: “Só escrevo para quem é capaz de me entender, e eles me lerão sem perigo”.

O Marquês de Sade está errado: o leitor ideal está sempre em perigo.

O leitor ideal é o personagem principal de um romance.

Paul Valéry: “Um ideal literário: saber, enfim, não dispor na página nada além do ‘leitor'”.

O leitor ideal é alguém com quem o autor não se importaria em passar uma noite bebendo uma taça de vinho.

Um leitor ideal não deveria ser confundido com um leitor virtual.

Um escritor nunca é seu próprio leitor ideal.

A literatura não depende de leitores ideais, mas apenas de leitores suficientemente bons.

Conclusão: segundo Manguel, o autor deste blog não é um leitor ideal.


Os 10 melhores livros que li em 2010

Assim como no ano passado, decidi fazer a listagem dos 10 melhores livros que li em 2010. Não foi uma tarefa muito fácil, pois comparado com o que li em anos anteriores, em 2010 eu li muito pouco, 24 títulos. Mas resolvi listá-los, vamos lá!

10º – La Tabla de Flandes, de Arturo Pérez-Reverte
Reverte já foi citado por Dan Brown como uma de suas inspirações. E realmente inspirou, por este livro tem muito do que hoje se tornou a escrita de Brown. Uma história de mistério bastante interessante (em espanhol).

9º – Os viúvos, de Mario Prata
Comprei este livro por acaso, quando o escritor estava num evento aqui em Florianópolis, fazendo a divulgação. Comprei, pedi autógrafo e em menos de dois dias conheci a história do detetive Fioravanti em plena Floripa. Interessante que cada capítulo do livro é um bairro ou local da Ilha da Magia. Viajei pela cidade sem sair do meu quarto.

8º – Herdando uma biblioteca, de Miguel Sanches Neto
Recomendo este livro pela paixão do autor em narrar como montou sua biblioteca particular. O cara é ali, de Curitiba.

7º – Bilionários por acaso: a criação do Facebook, de Ben Mezrich
A grande atração do ano de 2010. Ganhei o livro de amigo secreto, li em algumas horas e corri para o cinema ver a versão do filme. Vale muito a pena! Dá gosto de ver do que um universitário é capaz munido de uma boa massa pensante.

6º – Os espiões, de Luis Fernando Verissimo
Verissimo sempre aparece nas minhas listas dos melhores. E com este livro, 3º lugar no Prêmio Jabuti 2010, ele sai do seu gênero de domínio, a crônica, e parte para um romance. Um romance que fala sobre livros, melhor ainda.

5º – Conversa sobre o tempo, de Arthur Dapieve com Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura
Mais uma vez Verissimo, mas desta vez numa conversa agradabilíssima com Dapieve e Ventura. Dapieve entrevista os dois num sítio e a conversa vira livro. Eles falam sobre política, livro, morte, amizade e diversos temas. Um banho de cultura brasileira e internacional.

4º – Não contem com o fim do livro, de Umberto Eco
Também um dos grandes temas de 2010, o futuro do livro perante a tecnologia digital dos e-readers. O autor, especialista em leitura e vários outros temas, é entrevistado e fala sobre o envolvimento do homem com o livro, seja em papel ou digital.

3º – A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson
Trilogia Millennium, a melhor história policial que eu já li. Tudo muito bem escrito e traduzido. História boa, envolvente. Se encaixa naquela categoria de livros que não conseguimos parar de ler até terminar.

2º – A nova desordem digital, de David Weisberger
Título indicado numa palestra e que peguei emprestado na biblioteca da universidade. Para quem é da área da Biblioteconomia, que trabalha com informação, este livro é essencial.

1º – Caim, de José Saramago
Não poderia deixar de ser, novamente Saramago em primeiro lugar. Ano passado ele ficou com “O homem duplicado” e agora com “Caim”, esta história totalmente audaz, bem escrita. Enfim, uma boa história saramagueana.

E para você, quais foram os 10 melhores livros que leste em 2010?


Não contem com o fim dos livros

Eis um dos lançamentos deste ano que eu queria muito ler. O livro estava praticamente jogado no Laboratório do meu curso na faculdade e o emprestei.
A princípio não gostei e até tinha comentado no Twitter. O início é um pouco disperso, não segue uma linha. Como é uma conversa mediada por um jornalista entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, até pensei que as falas de Umberto Eco foram copiadas e coladas de disversos artigos do escritor, porque elas não se ligavam com a de Jean. Essa impressão talvez ficou por causa do livro que segue o mesmo estilo entre Verissimo e Ventura, que li há pouco tempo, mas que é realmente uma conversa.
Aos poucos, o livro vai melhorando. Há inúmeras citações a outros escritores e outros títulos. É um tipo de livro que você precisa ter um bloco de anotações ao lado para guardar todas as sugestões.
A leitura vale a pena e surpreende, se assim como eu, você pressupor que o livro trate da era digital. Até de bibliofilia podemos ler!


Prêmios Jabuti e Portugal Telecom 2010

Faz alguns dias já que saíram os indicados aos prêmios Jabuti e Portugal Telecom de Literatura. O Prêmio Jabuti, a nível nacional, é o maior a respeito de literatura (por área e romance) e o Portugal Telecom volta-se à literatura dos países de língua portuguesa.
Vi ontem a relação dos indicados e dois grandes escritores, que considero muito, estão concorrendo.

Para o Prêmio Jabuti de Melhor Romance de 2010, eis os indicados:

“Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre
“Outra vida”, de Rodrigo Lacerda
“Leite Derramado”, de Chico Buarque
“Os Espiões”, de Luis Fernando Verissimo
“Golpe de Ar”, de Fabrício Corsaletti
“Sinuca embaixo d’água”, de Carol Bensimon
“O Albatroz Azul”, de João Ubaldo Ribeiro
“O Filho da mãe”, de Bernardo Carvalho
“A passagem tensa dos corpos”, de Carlos de Brito e Mello
“O boi no café”, de Sérgio Viotti.

E para o Prêmio Portugal Telecom, os indicados são:
“A passagem tensa dos corpos”, de Carlos de Brito e Mello
“AvóDezanove e o segredo do soviético”, de Ondjaki
“Caim”, de José Saramago
“Lar”, Armando Freitas Filho
“Leite Derramado”, de Chico Buarque
“Monodrama”, de Carlito Azevedo
“O filho da mãe”, de Bernardo Carvalho
“Olhos secos”, de Bernardo Ajzemberg
“Outra vida”, de Rodrigo Lacerda
“Pornopopéia”, de Reinaldo Moraes.

De tanto falar sobre alguns dos indicados, já fica meio óbvio para quem eu torço. Quero muito que o Verissimo ganhe o Jabuti e Saramago o Telecom. Quanto ao Jabuti, temos a forte concorrência de Buarque e Ubaldo, que podem atrapalhar um pouco o Verissimo. Brito e Mello, Bernardo Carvalho e Ricardo Azevedo também podem ser fortes candidatos, já que estão indicados aos dois prêmios.

Já para o Prêmio Telecom, Saramago é um fortíssimo candidato. Seu último livro, que é o indicado, é uma obra incrível, uma das melhores.

Em 01 de outubro teremos o resultado do Jabuti e em 04 de novembro, o Telecom. Que ganhe o melhor!